Borboletas
A. Braga
Que sois? naves de vôo em cujas flóreas velas refulgem,
cor a cor, as sete cores,
pois, borboletas azuis, vermelhas, amarelas,
folhas da alma da Cor, pétalas do Iris sois.
Umas vêm; outras vão partir,
aquelas levam nas asas três mulas,
os dois beijos que as faces coram das donzelas
para a velhice os apagar depois.
Sois pequeninos e incantados missais de amor,
dos namorados laços que nunca se desdão.
Borboletas! Nasceis para inebriar as rosas!
Mulheres, borboletas venenosas,
invenenai-me o coração.