Cantiga de amor
A. Braga
Meu coração é um pobre,
um pobrezinho sem lar
Dá-lhe tu, que és rica e nobre,
A esmola do teu olhar.
Meu peito, frio de neve,
Só lhe roçar tua mão
Leve, leve, leve, leve,
Arderá como um vulcão.
Meus lábios são dois escravos
mortos de sede e de dor.
Abelha, tens tantos favos!
Dá-lhes o favo do amor.
A minha alma de precito,
A branca filha do céu,
Fala voar ao Infinito
Nas asas de um beijo teu.