O poder das lágrimas

A. Braga

Com que saudade para o céu não olhas,

Vendo de nuvens todo o céu coberto,

E engastadas de pérolas as folhas

E o coração das árvores deserto.

Como uma grande rosa, a alma desfolhas

Dentro do seio inteiramente aberto,

E esses restos de flor passando molhas

N'água do arroio que coleia perto!

Molha-as, sim, nesta limfa algente e casta!

Que uma só gota cristalina basta

Para o calor em chuva ir transformando.

Hás de ficar com os olhos rasos d'água,

A dor há de acalmar, que a própria mágua

Tem dó de ver uma mulher chorando.