O trovador do sertão

A. Braga

Tu vens, ó minha amante,

Por noites sem neblina,

Ao lume das estrelas

Na branca musselina,

Descendo da montanha

Com a perna e braços nus,

Por entre as verdes canas

E as plumas dos bambus

Mais bela do que os cantos

Das aves, na espessura,

Que o ninho d'alva espuma,

Que a fonte que murmura!

Ó minha amante, és bela

Qual harmonia eólia!

Flecha de luz a prumo

Na flor da magnólia!

Ao fundo do horizonte

Destaca-se, divina,

A sua forma estátua

Do gênio da campina!

Seus lábios rubros, rubros,

Gardênias são do pejo;

Seus seios pombas mansas!

Seu sonho! o meu desejo!

A vida eu dera inteira,

Por vê-la na cabana,

Ao fogo da fogueira,

Ao cheiro, da coirana,

Carpindo a trova meiga

Que o peito meu consola,

Aos quebros do fandango,

Aos sons desta viola.

Ó minha amante, és bela

Qual harmonia eólia!

Flecha de luz a prumo

Na flor da magnólia!