Ó virgens!

A. Braga

Ó virgens que passai, ao Sol-poente,

Pelas estradas ermas, a cantar!

Eu quero ouvir uma canção ardente,

Que me transporte ao meu perdido Lar.

Cantai-me, nessa voz onipotente,

O Sol que tomba, aureolando o Mar,

A fartura da seara reluzente,

O vinho, a Graça, a formosura, o luar!

Cantai! cantai as límpidas cantigas!

Das ruína do meu lar desaterrai

Todas aquelas ilusões antigas

Que eu vi morrer num sonho, como um ai...

Ó suaves e frescas raparigas,

Adormecei-me nessa voz... Cantai!