Oh! Se te amei!

A. Braga

Oh! se te amei! Toda a manhã da vida

Gastei-a em sonhos que de ti falavam!

Nas estrelas do céu via teu rosto,

Ouvia-te nas brisas que passavam:

Oh! se te amei! Do fundo de minh' alma

Imenso, eterno amor te consagrei...

Era um viver em cisma de futuro!

Mulher! oh! se te amei!

Quando um sorriso os lábios te roçava,

Meu Deus! que entusiasmo que sentia!

Láurea coroa de virente rama

Inglório bardo, a fronte me cingia;

À estrela alva, às nuvens do Ocidente,

Em meiga voz teu nome confiei.

Estrela e nuvens bem no seio o guardam;

Mulher! oh! se te amei!

Oh! se te amei! As lágrimas vertidas,

Alta noite por ti; atroz tortura

Do desespero d'alma, e além, no tempo,

Uma vida sumir-se na loucura...

Nem aragem, nem sol, nem céu, nem flores,

Nem a sombra das glórias que sonhei...

Tudo desfez-se em sonhos e quimeras...

Mulher! oh! se te amei!