Prece
A. Braga
Por amor de ti mesma, sê piedosa,
Sê clemente ao meu louco desvario
Com teus beijos, minha Santa, eu me inebrio,
Dá-me, pois, a tua boca perfumosa.
Que te custa, na taça cor de rosa
Dos lábios dar-me o gosto do amavio?
Que te custa deixar o murmurio
De um sim tornar-me a vida venturosa?
Sê mulher como as outras, sê clemente,
Oh! Rainha da Graça, pois te imploro,
Como se fosses Deus e eu fosse um crente.
E não vens! E chorando é qu'eu te espero!
Quem te pode adorar, como eu te adoro?
Quem te pode querer, como eu te quero?