Canção da ausência

A. Nepomuceno

Uma lua religiosa,

Uma lua romanesca,

Aponta como uma rosa

Muito branca, muito fresca

No ar sem fim

Ah! Quem me dera essa rosa,

Para eu dá-la ao teu jardim?!

Um luar sereno e belo

Fluido mármore da altura

Parece esculpir o estelo

Para minha sepultura

Consagrar

Ah! Quem me dera esse estelo

para enfeite do teu Lar?!

Do alto, a lua paraninfa

Terra e Céu, noivando.

E verte pranto argênteo,

Clara linfa sobre a natureza inerte, sem vigor:

Ah! Quem me dera essa linfa

Para o teu banho de flor...

Dolorosa, fria lua,

Pia ebúrnea da alta Ermida.

Fonte grega! Estátua nua!

Rosa branca refletida

Nas marés:

Ah! Quem me dera ser lua

Para esfolhar-me aos seus pés!...