Canção do rio
A. Nepomuceno
O rio canta sereno,
dentro do bosque sombrio!
Que melodia! Que treno!
Vai murmurando esse rio!
Leva no espelho das águas,
toda a verdura dos ramos;
e a mais saudosa das mágoas
nessa canção que escutamos!
(nessa canção que escutamos!)
Ah! Ah!
Sai da penumbra da mata
para o esplendor da campina;
parece ao sol, que é de prata,
mas canta a mesma surdina!
Reflete a imensa turquesa
do céu que brilha e deslumbra,
mas guarda a vaga tristeza
dessa virente penumbra!
(dessa virente penumbra!)
Ah! Ah!
Como é saudoso e plangente
esse murmúrio do rio;
leva na sua corrente
a alma do bosque sombrio!
Parece ao sol que é de prata,
reflete o largo horizonte,
mas a saudade retrata
a nostalgia da fonte!
(a nostalgia da fonte!)
Ah! Ah!