Candura

A. Nepomuceno

As tuas mãos nas minhas mãos,

os meus olhos nos teus olhos;

assim começou o nosso amor.

Era por um luar de maio;

as flores se abriam em perfume.

Falava por mim o silêncio

e o ramalhete que fazias

ficava por acabar.

Como é puro este nosso amor.

Prendem-se-me os olhos

no teu véu cor de ouro.

Enternece-me como um elogio

o ramo de jasmins que tu me deste.

E nos buscamos e nos fugimos,

doces lutas simuladas,

risos... timidez...

Como é puro este nosso amor.