Desterro
A. Nepomuceno
Já me não amas? Basta! Irei triste e cansado
Do meu primeiro amor para outro amor, sozinho...
Beijo-te inda uma vez, num último carinho,
Como quem vai sair da pátria desterrado...
Adeus, pele cheirosa! Adeus, primeiro ninho
Do meu delírio! Adeus, belo corpo adorado!
Em que como num vale, adormeci deitado,
No meu sonho de amor, em meio do caminho...
Adeus, carne gentil, pátria do meu desejo!
Terra onde floresceu o meu primeiro beijo!
Adeus! Que esse outro amor há de amargar-me tanto
Como o pão que se come entre estranhos, no exílio,
Amassado com fel e embebido de pranto.