Numa concha
A. Nepomuceno
Pudesse eu ser a concha nacarada,
Que entre os corais e as algas a infinita
Mansão do oceano habita,
E dorme reclinada
No fofo leito das areias de ouro!
Fosse eu a concha e, ó pérola marinha,
Tu fosses o meu único tesouro,
Minha, somente minha!
Ah! Com que amor, no ondeante
Regaço da água transparente e clara
Com que volúpia, filha, com que anseio
Eu as valvas de nácar apertara,
Para guardar-te toda palpitante
No fundo do meio seio.