Olha-me!

A. Nepomuceno

Olha-me! O teu olhar sereno e brando,

Entra-me o peito como um largo rio

De ondas de ouro e de luz, límpido entrando

o ermo de um bosque solitário e frio.

Fala-me! Em grupos doudejantes, quando

Falas, por noites cálidas de estio

As estrelas acendem-se radiando,

Altas, semeadas pelo céu sombrio.

Olha-me assim! Fala-me assim! De pranto

agora, agora de ternura cheia

Abre em chispas de fogo essa pupila...

E enquanto eu ardo em sua luz, enquanto

em seu fulgor me abraso, uma sereia

soluce e cante nessa voz tranqüila.