Sempre!

A. Nepomuceno

Sei que pensar em ti não devo,

Nem o teu nome murmurar,

Que faço mal, quando isto escrevo,

Que é criminoso meu enlevo,

Que nada mais posso esperar;

Sei que de todo indifferente

Teu coração tornou-se a mim;

Sei que é forçoso que me ausente,

Que nem siquér te cumprimente

Si te encontrar... Não é assim?!

Sei... E me faz tão dura sorte

Penas cruéis. Mas também sei

Que tudo vence, que é tão forte

(Di-lo o Evangelho) quanto a morte

Isto que sento e sentirei.

Durou apenas um instante

Nossa loucura, mas foi tal

Que, como um ácido cortante,

N'alma gravou-me, penetrante,

Um profundíssimo signal.

Oh! A certeza me consterna

De que jamais serei feliz!

Só a saudade me governa...

Guardo de ti lembrança eterna

Nessa indelével cicatriz.