Sonhei

A. Nepomuceno

Sonhei inda uma vez o sonho antigo...

Noite de Maio, suspirava o vento sob as tílias,

O nosso doce abrigo,

Repetindo de amor o juramento, de amor,

De novo tu juraste, eu jurei...

Que de afagos, sorriste, me beijaste;

E para que eu não esquecesse as juras,

Em minha mão teus dentinhos ferraste.

Ó dileta de olhinhos azuis claros!

Meu amor, ó meu bem, ó minha amada!

Estava em ordem o doce juramento,

Mas não estava nos autos a dentada.