Trovas

A. Nepomuceno

Sei que ai estás à janela,

Por trás dos vidros, sem luz;

e enquanto a noite regela

no chão pousas os pés nus.

Lesta saltaste da cama,

Ao escutar a minha voz;

E cuidas que ela te chama

Para falarmos a sós.

Mas tu te iludes, Morena;

Já não canto para ti;

Canto, na noite serena,

Para a lua, que sorri...

Exposta ao frio inclemente,

Que te cresta a fina tez,

Tu podes ficar doente...

Vai-te deitar outra vez.