Náiades

C. Santoro

Náiades, vós que os rios habitais

que os saudosos campos vão regando,

de meus olhos vereis estar manando

outros, que quase aos vossos são iguais.

Dríades, vós, que as setas atirais,

os fugitivos cervos que derrubando,

outros olhos vereis que, triunfando,

derrubam corações, que valem mais.

Deixai a aljava logo, e as águas frias,

e vinde, Ninfas minhas, se quereis

saber como de uns olhos nascem mágoas;

vereis como se passam em vão os dias;

mas não vireis em vão, que cá achareis

nos seus as setas e nos meus as águas.