A hora cinzenta

H. Camêu

Desce um longo poente de elegia

Sôbre as mansas paisagens resignadas;

Uma humaníssima melancolia

Embalsama as distâncias desoladas...

Longe, num sino antigo, a Ave-Maria

Abençoa a alma ingênua das estradas;

Andam surdinas de anjos e de fadas,

Na penumbra nostálgica, macia...

Espiritualidades comoventes

Sobem da terra triste, em reticência

Pela tarde sonâmbula, imprecisa...

Os sentidos se esfumam, a alma é essência,

E entre fugas de sombras transcendentes,

O Pensamento se volatiza...