A torre morta do ocaso

H. Camêu

Esguia torre ascética, esquecida

na bruma de um crepúsculo profundo!

És no mais triste símbolo do mundo

a renúncia tristíssima da vida.

Tua existência é um pensamento fundo

Levantado na pedra adormecida

Bem sentes quanto é inútil e infecundo

O esforço na vertigem da subida.

Como és profética de longe...

Quando na moldura do poente de ouro e rosa,

Interpretando todos os destinos.

Vais por todos os ventos espalhando

Tua filosofia dolorosa,

Na balada sonâmbula dos sinos.