Festim pagão

H. Villa-Lobos

N'uma ronda de luz,

dentro dos bosques mudos,

ao sonoro bater dos tambores retezos,

Entre taças de bronze e encurvados escudos

correm faunos febris

de olhos fundos acesos.

Toda a sekva estrenece,

e nos relvados rudos há gritos, maldições,

promessas e despresos

enquanto molemente os sátiros cornudos

dançam na grama fofa em peles finas presos.

A tarde desce, longe;

em tropél as bacantes,

ao som das tubas de ouro

e das frautas de cana, passam,

as mãos nas mãos, trêmulas,

cambaleantes...

E quando a lua vem,

de súbito os compassos emudecem no espaço,

e a sombra se engalana de grinaldas de sois,

de beijos e de abraços.