No turbilhão
J. de Vasconcelos
No meu sonho desfilam as visões,
Espectros dos meus próprios pensamentos,
Como um bando levado p'los ventos,
Arrebatado em vastos turbilhões...
Numa espiral, de estranhas contorções,
E donde saem gritos e lamentos,
Vejo-as passar, em grupos nevoentos,
Distingo-lhes, a espaços, as feições...
Fantasmas de mim mesmo e da minha alma,
Que me fitais com formidável calma,
Levados na onda turba do escarcéu,
Quem sois vós, meus irmãos e meus algozes?
Quem sois, visões misérrimas e atrozes?
Ai de mim! Ai de mim! e quem sou eu?!...