A Formosura desta Fresca Serra

L. Freitas Branco

A formosura desta fresca serra,

E a sombra dos verdes castanheiros,

O manso caminhar destes ribeiros,

Donde toda a tristeza se desterra;

O rouco som do mar, a estranha terra,

O esconder do sol pelos outeiros,

O recolher dos gados derradeiros,

Das nuvens pelo ar a branda guerra:

Em fim, tudo o que a rara natureza

Com tanta variedade nos offrece,

M'está (se não te vejo) magoando.

Sem ti tudo me enoja, e me aborrece;

Sem ti perpetuamente estou passando

Nas mores alegrias môr tristeza.