Canção da Fiandeira

A. Fragoso

Lindo linho, cresce, cresce

Em terra do paraíso;

Dou-te água das minhas lágrimas,

Dou-te o sol, no meu sorriso.

Linho, linho! O que hás-de ser?

Depois da foice, a espadela

Depois, o novelo; e a teia...

Doce enxoval depois dela.

Forma-se a estriga

, no fuso.

Alva linha que não parte;

Assim, Amor! Os meus sonhos

Sejam fios de enlear-te...

Anda, sarilho! Ensarilha

Esta meada comprida...

Assim Deus me ensarilhasse

Os fios da minha vida.

Tece, tece, meu tear,

Ao bater do coração,

Teia de amor que há de ver

Tanto beijo e tanto pão!