Belo, Belo

de Almeida Prado

Belo, belo, belo

Tenho tudo quanto quero

Tenho o fogo de constelações

Extinta há milênios.

E o risco brevíssimo

Que foi? Passou!

De tantas estrelas cadentes

A aurora apaga-se, e eu guardo

As mais puras lágrimas da aurora.

O dia vem, e dia a dentro

Continuo a possuir

O segredo grande da morte.

Belo, belo, belo

Tenho tudo quanto quero

Não quero o êxtase nem os tormentos

Não quero o que a

Terra só dá com trabalho,

As dádivas dos anjos são inaproveitáveis

Os anjos não compreendem os homens.

Não quero amar,

Não quero ser amado (a)

Não quero combater

Não quero ser soldado

Quero a delícia de poder sentir

As coisas mais simples...