O Motivo da Planície

L. Freitas Branco

Morte da Luz. Na forja do Poente

um lume em agonia ainda arde.

Entra a subir da Terra abertamente

a grande pastoral do fim da tarde.

E sobe, e alastra-se. Ao luar clemente,

as rãs e os sapos gemem com alarde.

Morreu a Luz. Na forja do Poente

o Lume agonizante já não arde.

Desfaz-se a lua em aspersões de graça.

E em notas sempre as mesmas, sempre irmãs,

passa a Planície, interpretando a Vida.

Passa o motivo da Planície, passa...

Passa na voz dos sapos e das rãs

o tema da Planície indefinida.