A Sulamita

L. Freitas Branco

Ego dormio, et cor meum vigilat.

CANTICO DOS CANTICOS.

Quem anda lá por fora, pela vinha

Na sombra do luar meio cacoberto,

Sutil nos passos e espreitando incerto,

Com brando respirar de criancinha?

Um sonho me acordou... não sei que tinha...

Pareceu-me senti-lo aqui tão perto...

Seja alta noite, seja n'um deserto,

Quem ama até em sonhos adivinha...

Moças da minha terra, ao meu amado

Correi, dizei-lhe que eu dormia agora,

Mas que póde ir contente e descançado,

Pois se tão cedo adormeci, conforme

É meu costume, olhae, dormia embora,

Porque o meu coração é que não dorme...