Pai do mato

L. Gallet

A moça Camalalô

Foi no mato colher fruta.

A manhã fresca de orvalho

Era quase noturna.

- Ah...

Era quase noturna...

Num galho de tarumã

Estava um homem cantando.

A moça sai do caminho

Pra escutar o canto.

- Ah...

Ela escuta o canto...

Enganada pelo escuro

Camalalô fala pro homem:

Ariti, me dá uma fruta

Que eu estou com fome.

- Ah...

Estava com fome...

O homem rindo secundou:

- Zuimaalúti se engana,

Pensa que sou ariti?

Eu sou o Pai-do-Mato.

Era o Pai-do-Mato!