Madrugada

H. Camêu

As estrelas tremem no ar frio, no céu frio...

E no ar frio pinga, levíssima, a orvalhada.

Nem mais um ruído corta o silêncio da estrada,

Senão na ribanceira um vago murmúrio.

Tudo dorme. Eu, no entanto olho o espaço sombrio,

Pensando em ti, ó doce imagem adorada!...

As estrelas tremem no céu frio, no ar frio,

E no ar frio pingam as gotas da orvalhada...

E enquanto penso em ti, no meu sonho erradio,

Sentindo a dor atroz dessa ânsia incontentada,

- Fora, aos beijos glaciais e criéis da geada,

Tremem as flores, treme e foge, ondeando, o rio,

E as estrelas tremem no ar frio, no céu frio...