Segundo motivo da rosa

de Almeida Prado

Por mais que te celebre, não me escutas,

Embora em forma e nácar te assemelhas,

À concha soante, à musical orelha

Que grava o mar nas íntimas volutas.

Deponho-te em cristal, defronte a espelhos...,

Sem eco de citernas ou de gustas...

Ausências e cegueiras absoluas

Ofereces às vestas e abelhas,

E a quem te adora, ó surda e silenciosa,

E cega e bela e interminável rosa,

Que em tempo e aroma e verso te transmutas!

Sem terra nem estrelas brilhas, presa

A meu sonho, insensível à beleza

Que és e não sabes, porque não me escutas...