Terceiro motivo da rosa

de Almeida Prado

Se Omar chegasse esta manhã

Como veria a tua face.

Omar Khayyam,

Tu, que és do vinho,

E de romã,

E, por orvalho e por espinho,

Aço de espada de Aldelarã?

Se Omar e visse esta manhã,

Talvez sorvesse com meiguice

Teu chiro de mel e maçã.

Talvez em suas mãoos morenas

Te tomasse, e dissesse apenas:

"É curta a vida, minha irmã"

Mas por onde anda a sombra antiga

Do amargo astrônomo do Irã?

Por isso, deixo esta cantiga

- Tempo de mim, asa de abelha -

Na tua carne eterna e vã,

Rosa vermelha!

Para que vivas, porque és linda,

E conigo respire ainda

Omar Khayyam.