Conquista pois sósinho o teu Futuro
L. Freitas Branco
Conquista pois sósinho o teu Futuro,
Já que os celestes guias te hão deixado,
Sobre uma terra ignota abandonado,
Homem — proscrito rei — mendigo escuro!
Se não tens que esperar do céo (tão puro,
Mas tão cruel!) e o coração magoado
Sentes já de
illusões
desenganado,
Das illusões do antigo amor perjuro;
Ergue-te, então, na magestade estoica
De uma vontade solitaria e altiva,
N'um esforço supremo de alma heroica!
Faze um templo dos muros da cadêa,
Prendendo a immensidade eterna e viva
No circulo de luz da tua Idéa!